Dar a volta por cima

Podemos finalmente respirar? Ainda não! Os picos da pandemia voltaram, parece que voltamos a março do ano passado, a única diferença é que tudo isso não é mais novo para nós, mas parece que recomeçamos do zero. Ainda temos uma longa experiência com Covid até normalizarmos.

Precisamos de uma pausa de tanto movimento, de tanta tristeza – é claro, ela está lá. Sempre esteve, mas como podemos nos manter felizes se nos concentrarmos na tristeza alheia o tempo todo e a mantermos como nossa. Será que dividirá a dor? Não o compatriota desconhece você, você, estranho, não pode fazer nada por ele. No máximo uma postagem nas redes sociais, o que poderia gerar um incômodo às famílias dos falecidos, pela exposição não autorizada.


Proponho que tomemos as perdas como alertas para nos mantermos precavidos e cuidadosos e, para acima de tudo, apreciar o ar puro para respirar e a agradecer pela saúde de nossos familiares e amigos. Enquanto isso, por que não encontrar a felicidade?

Histórias de superação

Katya Santhos é formada em enfermagem e mãe de dois filhos, morando atualmente em Cariacica, trabalhava como cuidadora de idosos, mas acabou sendo demitida devida a corrente de parentes preferirem eles próprios cuidar dos familiares de terceira idade, com o pensamento de evitar “estranhos” que possam carregar o Corona Vírus para dentro de casa.

Dar a volta por cima

Já tendo trabalhado em barraquinha de lanches, Katya, por influência de um vídeo, decidiu montar seu próprio negócio, vendendo doces e chups-chups gourmet. Iniciando com o material que tinha em casa, começou a investir assim que começaram os primeiros retornos. De maneira que vem sendo bem comum para estes novos microempreendedores, a divulgação é feita através das redes sociais como Facebook e Instagram.


Amanda Santos estava desempregada, uma dentro do alarmante número de 12,9 milhões – com os pais autônomos a situação ficou complicada. Desde mais jovem a mãe lhe ensinou a fazer bijuterias artesanais, porém o negócio não foi para frente na época, escolhendo esta um mais lucrativo. Mas mudando a situação, Amanda resolveu aplicar seu conhecimento na criação de peças para venda.

Dar a volta por cima

“Eu resolvi retomar, por conta própria, e comecei cuidando de tudo sozinha. Aprendi a produzir peças que são completamente diferentes das que ela produzia. São mais jovens e com a minha originalidade. Está dando certo!”

Para investir Amanda usou parte do auxílio emergencial, sua divulgação foi feita de boca a boca e através do Instagram, alcançando cada vez mais pessoas. A artista afirma que além de adquirir uma boa fonte de renda, o trabalho lhe ajuda a passar pelos tempos sombrios da pandemia de forma alegre, “(…) é terapêutico.” afirma ela.

Ela aprendeu novas técnicas com o tempo e é a prova viva de que é possível dar a volta por cima.

Um sorriso brota em meio a pandemia

Mais do que recriar sua renda em meio a tempos de dificuldade, a criatividade ajuda a expandir os horizontes de cada uma dessas mulheres e como a própria Amanda afirma, é um processo que não somente traz lucro como acalenta a alma – algo necessário em um momento nada propício ao desenvolvimento de micro e pequenas empresas, tanto como para autônomos.

Então, por que não aproveitar este de reclusão para investir em algo lhe faz se sentir bem? – sem a pressão de conseguir algum retorno financeiro depois, apenas pelo prazer de ter um objetivo diário, principalmente se você for como 12,2% da população de desempregados. No prazer pode se encontrar e tirar o máximo de proveito de seu tempo feliz, abrir um sorriso em meio a pandemia.

 

Fonte: Folha Vitória