Maternidade e autoconfiança. Estão aí dois pontos que, de maneira geral, parecem ser difíceis de conciliar. A cada dia que passa, muitas mulheres se queixam do peso que “recai” sobre si, na medida em que vão se desenvolvendo neste maravilhoso e tão desafiador universo da maternidade.

De todo modo, há mulheres que seguem um ritmo próprio, e encontram o equilíbrio que precisam. Porém, há aquelas que se sentem, por algum motivo interno ou externo, incapazes de serem “boas mães”. E, com isso, a autoconfiança começa a dissipar por entre dos dedos.

Mas, como lidar com esse frio na barriga de querer ser perfeita? Como construir um perfil autêntico de mãe, sem deixar de lado quem você é?

Estas e outras dúvidas serão discutidas no decorrer deste artigo. Vem com a gente pensar um pouco mais sobre ser mãe e ser mulher!

A cobrança que recai sobre a mãe

O primeiro ponto que você deverá pensar e refletir é acerca da cobrança que, costumeiramente, recai de um modo mais expressivo sobre as mães. De maneira geral, as meninas já crescem com a ideia de que serão mães um dia, e, com isso, começam a plantar dentro de si a necessidade da perfeição neste quesito.

A partir disso, quando se deparam com qualquer tipo de impasse neste novo modo de ser, consequentemente se sentem frustradas ou até mesmo incapazes. Mas, você já parou para pensar que, se tratando de relações humanas, jamais existirá o jeito correto e a perfeição? Pois é!

Primeiro porque cada ser humano é singular e único. Segundo que, no desenvolvimento deste novo universo e jeito de viver, você terá que experienciar e vivenciar momentos nunca vividos antes. Com isso, poderá, sim, errar, tropeçar, mas, do mesmo modo, poderá crescer e se desenvolver ainda mais.

Não lamente por errar. Não se cobre da mesma forma como a sociedade costuma lhe cobrar! Ninguém vive o que você está vivendo. Apenas você, dentro da sua pele, pode saber da sua história e do quanto a mesma impacta no seu modo de atuar e viver como mãe.

O papel da mulher na maternidade vai além de todas aquelas coisas românticas e lindas que costumamos ler. Sim, o amor existe, e ele é extremamente forte. Mas, da mesma forma, ele não serve de aval para que o erro nunca atravesse o seu caminho.

Pudera, que aprendizado você tiraria, deste lindo processo de crescer enquanto mãe, se você já soubesse como fazer tudo, desde o começo?

O conceito de mãe suficientemente boa

Maternidade e autoconfiança são dois conceitos que podem sim caminhar juntos, embora muitas mulheres ainda torçam o nariz para esta afirmação.

Mas, para que você comece a pensar um pouquinho diferente, queremos que você comece a pensar em um conceito inusitado: o da mãe “suficientemente boa”. Você deve estar se perguntando: o que isso significa?!

Pois bem, este conceito trata daquela mãe que sabe que em alguns momentos se deparará como faltante. Ou seja, ela sabe que não será plenamente perfeita, o tempo todo. Volta e meia ela cometerá equívocos que, de maneira geral, são mais do que necessários para o desenvolvimento da criança.

É a mãe que sabe que a criança não necessita da sua presença, 24 horas por dia, para ser um ser humano feliz e em constante desenvolvimento. É uma mãe que sabe que, tudo bem não ser “ótima”, o “boa” já basta e tira, de suas costas, um peso que poderia se tornar uma tortura mais tarde.

Pois é isso que você deve começar a visualizar: o ótima, muitas vezes está atrelada a perfeição. E, novamente, a perfeição não existe. Enquanto que, em contrapartida, o “boa” pode ser encarado como uma alternativa interessante, não é mesmo?

Pois certamente você é boa o suficiente para proporcionar o desenvolvimento do seu filho. Você é boa o suficiente para se sentir autoconfiante, mesmo quando está longe do pequeno. Você é boa o suficiente para compreender que tanto a sua presença, quanto a sua ausência, estão atreladas ao crescimento da criança. E, com isso, começa a deixar de lado incertezas que permitem que você se sinta ansiosa constantemente.

Tudo bem você não poder ficar com o seu filho o tempo todo! Tudo bem você ter cometido um erro! Você não precisa ser ótima, mas sim, suficientemente boa.

Pois quando você compreender que a mãe ideal não existe, você notará que está mais dentro daquilo que considera certo, do que você imagina. Se não existe perfeição, existem milhares de formas de ser. E se existem milhares de formas de ser, por que justamente o seu jeito seria errôneo?

 

Por: Camila da Silva

Psicóloga CRP: 12/17354