Cesariana é a forma de parto mais comum no Brasil, do total de procedimentos realizados no país, 55,5% são cesáreas, segundo dados do Ministério da Saúde. Em hospitais particulares, a taxa pode chegar a 84%. Em termos de comparação, o índice total nos EUA é de 32.9%, se um pais desenvolvido tem taxas baixas de partos cesariana, qual seria o motivo?

O parto normal tem muitas vantagens sobre a cesariana, profissionais da área de saúde consideram o procedimento cirurgico duas vezes mais arriscado para as mães, com alta taxa de mortalidade, além do tempo de recuperação ser maior. Por ser uma cirurgia, há mais chance de ocorrer hemorragia ou infecção. Em relação aos bebês, ocorrem mais problemas respiratórios, diabetes e aumento da pressão sanguínea em partos cesarianas em contraste ao parto normal. Além da diminuição dos indíces de depressão pós parto e aumento do sucesso da pega da amamentação.

O parto normal é o término natural de uma gravidez, o ideal é que a criança sinalize o dia em que irá nascer, pois o corpo da mulher foi preparado para isso, hormônios, como ocitocina, cortisol e adrenalina são liberados durante o trabalho de parto.

A ocitocina favorece as contrações uterinas, auxiliando na ejeção da criança, além é claro, da força que a mãe exerce ao empurar, na qual a adrenalina tem importante papel. A adrenalina e a ocitocina também possuem propriedades vasoconstritoras, ou seja, contraem a musculatura lisa das artérias evitando hemorragias e diminuindo o risco de morte. Após o parto a ocitocina faz com que o útero progressivamente retorne ao seu tamanho natural, o que ajuda as visceras e músculos a também se reposisionarem.

Muitas mães escolhem cesarianas agendadas com muita antecedência (com 36-37 semanas, por medo de sentir as contrações do parto, ou até mesmo por influência do médico que só tem data disponível para a cirurgia naquela época, ou porque parentes ou o profissional das fotos só podem nesse dia, os motivos nem sempre são realmente relevantes, infelizmente. O fato é que muitas vezes isso prejudica a criança, pois nasce magra, seus musculos ainda não estão totalmente desenvolvidos e nem os seus pulmões.

De acordo com a Resolução nº 2.144/2016, do Conselho Federal de Medicina (CFM), “é ético o médico atender à vontade da gestante de realizar parto cesariano” eletivo somente a partir de 39 semanas. Segundo documento, o período de 37 a 39 semanas, mesmo que seja o final da gravidez, é considerado crítico para o desenvolvimento do bebê, principalmente do pulmão.

Porém há casos em que a melhor opção é a cesariana, como em pacientes com hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, insuficiência placentária, hérnia de disco, doenças cardíacas e renais, entre outros.

Cada mulher é que sabe se esta ou não preparada para passar pelo procedimento de um parto normal, cabe a ela decidir, mas ter a consciência que nesse momento quem é mais importante é o seu filho é de extrema importancia para o amadurecimento da decisão da forma como a criança irá nascer ao final dessa jornada chamada gestação.

Por Christiane Guilherme

Bióloga Mestre em Fisiologia